Posts de Fevereiro, 2008

Casa de praia

Fevereiro 29, 2008

Esta foi a música do dia. Heart of Chambers, do Beach House. Alguém lembrou do Mazzy Star? Si, si, me gusta Mazzy Star.

Fidi, eles são de Baltimore. Teus vizinhos, quase.

A decadência dos festivais

Fevereiro 29, 2008

Fico logo com vontade de esculhambar as “atrações” internacionais que vem para o próximo Abril Pro Rock. Mas aí percebo que meu problema é com a curadoria do festival em si, e não exatamente com as bandas (embora eu particularmente não tenha a menor vontade de ver a volta do New York Dolls, e não me interesse pela joint venture camisa-preta Helloween/Gamma Ray).

Desde que nós tocamos no Mada, o similar potiguar do Abril, venho pensando sobre isso: os grandes festivais perderam a razão de existir. A estrutura gigante deles implica em custos muito altos, que precisam ser justificados com a escalação de dinossauros do rock (brasileiros ou não), encarregados de atrair um público grande e ao menos compensar os gastos do festival (eu nunca consultei a contabilidade de um evento desse tipo, mas acho que é por aí). Mas isso acaba por ofuscar a função mais importante que esses shows costumavam ter: revelar bandas novas e dar voz ao que está acontecendo de novo na música do País.

No Mada, por exemplo, as independentes faziam shows de meia hora, sem intervalo entre uma banda e outra. As apresentações começavam num horário que tinha pouca gente na arena, ainda no comecinho da noite, e é importante ressaltar que o primeiro dia do festival é uma quinta-feira. À medida que as horas iam passando, o público de bandas como Detonautas e Marcelo D2, completamente desinteressado, ia chegando. Uma maçaroca de bandas fazendo apresentações de meia hora sem intervalos é para deixar até o indie mais xiita de saco cheio.

Acho que eventos de médio porte, como o Coquetel Molotov, têm cumprido esta tarefa com muito mais sucesso, e sem precisar fazer grandes concessões, sem ter que chamar o Sepultura e o Ratos de Porão todo ano. Eles atraem as pessoas, mesmo que em número restrito, por serem propositivos, porque querem trazer algo novo, mesmo que obscuro. O modelo do Abril Pro Rock é exatamente o contrário: talvez por uma estratégia de sobrevivência, se apoia em nomes batidos e muitas vezes anacrônicos. Por isso, creio que não é caso do acaso o notável encolhimento do público do festival e a necessidade de mudança para um ambiente de porte consideravelmente menor.

A Inglaterra está mal…

Fevereiro 29, 2008

…com Hercules & Love Affair. O The Guardian deu cotação máxima para o disco, e publicou uma boa entrevista no último sábado. Capa da Ilustrada, aí vão eles.

O velho Haymone está de volta

Fevereiro 28, 2008

O que me irrita no “fenômeno” Mallu Magalhães (e seus similares) não é exatamente a menina, não são as musiquinhas fofas, não é o violão-de-luau, não é o inglês veja-como-sou-fluente das letras nem o fato dela querer me convencer de que “tem bom gosto” e é fã de Johnny Cash. Eu tenho abuso é desses marmanjos que colocam a menina nas alturas, como se ela fosse a única guria de quinze anos na face da terra que aprendeu uns acordes no violão e começou a fazer suas próprias músicas. Fico enjoado dessa fábrica de hype paulista que só parece ter ouvidos para o que é bizarro, demente, mal tocado, desafinado, aqueles fãs de Jandek que, no fundo, são sádicos e estão achando tudo aquilo ridículo, mas que, para ter a paternidade da descoberta e faturar (não necessariamente dinheiro) em cima, ficam jogando confete.

Pé frio

Fevereiro 25, 2008

Lição de 25 de fevereiro de 2008: nunca mais aposte dinheiro num bolão do Oscar. Nunca mais.

Caso de amor

Fevereiro 24, 2008

Estou ouvindo sem parar o disco (que nem saiu oficialmente ainda) do Hercules & Love Affair, o próximo lançamento do DFA, selo de bandas como LCD Soundsystem e The Rapture. Gosto muito dessa house com cara de orgânica que eles fazem: BPMs mais lentos, vocais, refrão, teclados e linhas de baixo marcantes. Minha preferida é You Belong, talvez a coisa mais gay que o selo de James Murphy tenha lançado na vida. Logo depois vem Blind, cantada por Antony Hegarty, cujo clipe está aí em baixo. Será que ele vai se incomodar com o pessoal dançando quando for executar isso ao vivo?

Capas

Fevereiro 22, 2008

A jovem Chocolate indica este link sobre Alex Steinweiss, tido como o inventor das capas de disco. Eis algumas delas.

Boogie woogie woody woody

A estatização da cena

Fevereiro 21, 2008

Outro dia desses eu me peguei lembrando dos idos de 2004, 2005, quando alguns jornalistas começaram a falar do surgimento de uma cena indie no Recife. Isto rendeu várias matérias nos diversos cadernos de cultura dos jornais locais, e até em veículos de fora. Me questionei por vários dias sobre as razões que fizeram com que aquele movimento simplesmente desaparecesse do mapa, mesmo que as bandas que o compunham ainda estejam por aí. A minha conclusão é que a cena se estatizou, e isso acabou com ela.

De lá para cá, Recife não mudou muito. Continua sem ter uma quantidade expressiva de locais onde as bandas possam se apresentar, as casas noturnas continuam desprezando a música pop produzida na cidade e assim por diante. Assim como hoje, aqueles grupos precisavam se virar para fazer shows do jeito que podiam, investindo dinheiro do próprio bolso para alugar som, imprimir cartazes e cobrir todos os eventuais custos que surgissem. Isso, bem ou mal, gerou um certo cooperativismo entre as bandas e este intercâmbio – de músicos e dos seus respectivos públicos – fez surgir o que veio a se chamar de cena.

Esta cena era viva. Restrita, mas viva. Era difícil que não tivesse um show de algumas dessas bandas pelo menos de duas em duas semanas. (Eu lembro de um colega de faculdade relcamando que “não agüentava mais shows do Mellotrons!”) Foi nessa época e nesse esquema que nós tocamos com bandas como Rádio de Outono, Retrovisores, Parafusa e algumas outras. Combinações que, até onde lembro, não voltaram a se repetir.

Mas aí a cena começou a crescer e querer voar mais alto. Aparecem os festivais, os grandes palcos, as multidões, as aparições na televisão, o reconhecimento das pessoas no meio da rua. As bandas começaram a cansar de carregar amplificadores para cima e para baixo, de correr risco, de ter que ir de bar em bar colar cartazes dos shows e de pôr tudo a perder numa noite em que São Pedro resolvesse que ia cair uma chuvarada. A cena se acomodou. E morreu.

Eu entrevistei Paulo André recentemente para um caderno especial sobre cultura, e ele me disse uma coisa com a qual concordo: Recife se tornou a capital dos shows gratuitos, mas essa política não beneficiou as bandas. Ao contrário. As bandas hoje vendem menos discos e ingressos de show.

Acho que é, sim, papel do poder público garantir o acesso a cultura e subsidiar parte da sua produção. Longe de mim ser tachado de liberal ou qualquer coisa dessa estirpe. Mas quando analiso o quadro atual, não tenho como não pensar que isso ajudou a matar a tal cena indie.

Aqui, as bandas viraram escravas do cachê pago pelo poder público. Estatizaram-se. Ficaram dependentes da prefeitura e dos seus palcos. Tornaram-se burocratas. Não querem mais saber de fazer seus próprios shows, a não ser se for com uma “grande” banda do Sudeste do país, de preferência com algum sujeito de franja que apareça regularmente na MTV.

O caixa das bandas deve estar muito mais saudável nesses dias, e isso é bom por um lado. Fazer música não é necessariamente fazer voto de pobreza. Mas a impressão que eu tenho é de que os músicos passaram a cagar e andar para o esforço em criar um público e uma cultura de shows na cidade. E agora pagam por isso.

Com o Mellotrons, tocamos algumas vezes nesse esquema estatal. E foi muito bom. Todo músico gosta de subir num palco grande, de tocar para uma multidão num som bom e todas essas coisas. Mas hoje, que a banda está parada, estou com mais saudade de tocar num inferninho para umas cem pessoas do que de qualquer outra coisa.

David Letterman também

Fevereiro 18, 2008

Os caras parecem saídos de um filme da sessão da tarde.

Diogo Mainardi também

Fevereiro 18, 2008

Uma reportagem sensacional publicada no site da edição brasileira do Le Monde Diplomatique mostra como pensam os americanos da extrema direita. O repórter entrou num cruzeiro promovido pela reacionária National Review para coletar fundos e discutir o novo conservadorismo norte-americano, captaneado pelo presidente George Bush e todos aqueles lobistas que ele emprega no governo. Entre as coisas que ele ouve, pérolas como “a Europa está sendo dominada pelos muçulmanos” e “a guerra do Iraque é um sucesso” são de deixar qualquer repórter da Veja de queixo caído.

Mostrei a reportagem para um colega neo-con. Para ele, essas afirmações são verdadeiras mesmo. O aquecimento global não é causado pelo homem, já que Marte está esquentando também (Exxon e Texaco agradecem); a Europa está realmente sendo invadida pelos árabes, basta dar uma voltinha por lá (Sarkozy acena, Carla Bruni dá uma piscadinha) e a invasão do Iraque é mesmo um sucesso, principalmente nos últimos seis meses (nem John McCain, que manteria as tropas americanas pelos próximos cem anos lá, concorda com isso).