Eu tive que dar uma pesquisada para entender que, em primeiro lugar, o aborto na Romênia dos dias de hoje é permitido até a 14º semana de gravidez. E que, em segundo, foi o regime comunista quem proibiu a prática. A interrupção da gestação foi criminalizada em 1948, permitida em 1957 e a partir de 1966, já no regime de Ceauşescu, se tornou novamente ilegal através de um decreto. Pior: com o objetivo de aumentar a taxa de natalidade e “ter mais mão-de-obra”. As mulheres e homens com mais de 25 anos, inclusive os solteiros, tinham que pagar entre dez e vinte por cento a mais de imposto de renda se não tivessem filhos. Métodos contraceptivos eram praticamente inexistentes. É um cenário assustador. E eu precisei entender esse contexto para que 4 meses, 3 semanas, 2 dias realmente fizesse sentido. Vivendo num país que é uma suposta democracia, mas onde o aborto é ilegal e a igreja chia quando o governo resolve distribuir pílulas do dia seguinte durante o Carnaval, todos aqueles detalhes da burocracia comunista não pareciam ter qualquer relação com o drama das duas protagonistas.