Zé. Aqui.
Posts de Julho, 2008
Blog é boia
Julho 25, 2008Rod Stewart vezes quatro
Julho 24, 2008Pouco me importa que ele tenha cabelo de poodle, que toque dez vezes por dia na antena 1, que sempre apareça com cara de canastrão nas capas, que o último disco dele se chame Great Rock Classics of Our Time e que contenha uma versão de Love Hurts. Rod Stewart é um dos melhores cantores que o rock já ouviu, e a voz dele está em algumas das canções pop mais memoráveis do século passado. Inspirado pela trilha de Ondas do Destino, selecionei meus quatro momentos preferidos da carreira de Roderick David Stewart.
1. Phyton Lee Jackson – In a Broken Dream (1970)
Phyton Lee Jackson foi uma banda australiana dos anos 60, mas essa música é da época em que eles estavam na Inglaterra. A lenda diz que Rod recebeu como pagamento pela participação um novo jogo de revestimentos para os bancos do carro. Em 1972, foi relançada e virou hit.
2. Jeff Beck Group – Shapes of Things (1968)
Do primeiro disco solo de Jeff Beck, Truth. Além de Rod, integrava a banda Ron Wood, hoje nos Rolling Stones.
3. Faces – Maybe I’m Amazed (1971)
Versão do hit do primeiro disco solo de Paul McCartney. Está no álbum Long Player, também numa gravação ao vivo.
4. Rod Stewart – D’Ya Think I’m Sexy? (1978)
Na minha humilde opinião, um dos melhores crossovers de rock com disco da história. Foi número um nas paradas dos Estados Unidos e da Inglaterra. Por essa música, ele foi processado por Jorge Ben Jor, que o acusou de ter plagiado Taj Mahal.
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Julho 22, 2008Malu, esposa de Vina. Gosto nadinha dela e dele. Aqui.
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Julho 20, 2008Aos poucos eu vou incrementando a lista dos blogs amigos aí do lado. O mais novo é de Márcio Padrão, amigo e colega de profissão recém exilado na terra da garoa. Aqui.
Ele tá é achando graça
Julho 20, 2008
Eu não sei exatamente quem começou com essa história de que Ondas do Destino era um filme sensacional e mais isso e aquilo. Sei que, por muito tempo, engoli essa conversa. Ainda nos meus tempos de aspirante a cinéfilo, no auge do Dogma 95, vi a versão em VHS. Ontem, tive a oportunidade de assisti-lo no cinema. Não gostei.
Pra não dizer que é de todo ruim, gosto das aberturas dos capítulos, com aquelas paisagens que lembram a Zona de Stalker, e as músicas dos dinossauros do rock dos anos 70:
Vendo os filmes de Lars Von Trier, me sinto como aquelas pessoas que ficam ao redor da ambulância do Samu quando acontece um acidente. Ou como o motorista que passa devagarzinho para ver o motoqueiro estatelado no chão. É puro sadismo, é a forma a serviço do deleite com a desgraça alheia.
Momento carro-de-som
Julho 19, 2008Os sindicatos e demais entidades que representam os jornalistas estão em polvorosa com o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (aquele do respeitável Gilmar Mendes, que mandou soltar Daniel Dantas duas vezes em menos de 24 horas) do Recurso Extraordinário 511.961, de autoria do Ministério Público Federal, que pretende acabar com a exigência de diploma para o exercício da profissão. A decisão está prevista já para o segundo semestre de 2008. Enquanto não sai, a categoria organizada vem buscando apoio de outras representações. Em Pernambuco, o Crea e o Cremepe aderiram ao abaixo-assinado.
Eu sinceramente não entendo como a exigência de diploma de jornalismo para exercer a profissão pode ser considerada uma afronta à liberdade de expressão. Jornalismo é muito mais do que expresar uma opinião. Requer, a meu ver, uma técnica específica, o conhecimento e o respeito a determinados postulados éticos e um arcabouço teórico na área das ciências sociais que não pode ser desprezado. A questão vai muito além da reserva de mercado.
Concordo com a carta que o atual e o futuro presidente da Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação) enviaram ao STF. Nela, eles afirmam:
O diploma de jornalismo, que agora se discute, não constitui uma simples reserva de mercado. Estabelece, isto sim, que o jornalista deve passar pelos bancos da Universidade. Só ali esse agente da informação coletiva pode se qualificar profissionalmente. E onde pode adquirir clara percepção das responsabilidades que tem perante à sociedade.
Esta é a tese que advogamos, na expectativa de que os Juizes da Suprema Corte possam discernir o verdadeiro mérito do que vão decidir. Não se trata de defender uma categoria, mas, acima de tudo, garantir ao conjunto da sociedade brasileira o direito de ser bem, livre e corretamente informada.
É por aí.
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A KGB era ficha
Julho 18, 2008
A Stasi (abreviação de Ministerium für Staatssicherheit, Ministério da Segurança de Estado numa tradução livre para o português) era a polícia secreta da antiga República Democrática da Alemanha, aquela que ficava do lado de lá do muro. Foi talvez o mais eficiente (e, consequentemente, temido) órgão de contra-informação estatal dos países da cortina de ferro. Contava com a cooperação de milhares de informantes, monitorava ligações telefônicas, correspondências e mantinha arquivos sobre as vidas e as atividades dos cidadãos potencialmente subversivos. A ação da Stasi foi retratada de forma comovente no filme A Vida dos Outros, que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2007. Pra quem também é fascinado pelas histórias da época em que aquele país estava dividido ao meio, a Companhia das Letras lançou recentemente o premiado livro Stasilândia, da australiana Anna Funder, que reúne tanto relatos de pessoas que foram vítimas dos arapongas comunistas quanto dos próprios agentes. Um trecho do livro, em inglês, está disponível aqui. Parece muito bom.
E já sabe falar
Julho 14, 2008Mais um texto meu para o suplemento cultural do Diário Oficial do Estado. Este foi publicado hoje.
Crianças-prodígio não são novidade no mundo da música. A história diz que Mozart começou a tocar as primeiras notas no piano aos quatro anos e que, aos cinco, já havia escrito algumas peças. Chopin dava concertos aos sete. Bach, Beethoven, Brahms, todos eles tiveram algum destaque ainda nos primeiros anos de vida. A música pop do século vinte também está cheia de crianças talentosas, como Stevie Wonder, que assinou seu primeiro contrato com a gravadora Motown aos doze anos e aos treze já havia chegado ao topo da parada norte americana; ou Michael Jackson, irmão caçula que aos oito já era o principal vocalista e dançarino do Jackson 5, só para ficar nos mais óbvios. Não foram eles, certamente, os únicos talentos infantis das suas respectivas épocas. A precocidade, na maioria desses casos, é um dado biográfico que ajuda a entender a genealogia de um talento já consolidado. Mozart não era Mozart aos cinco anos; era apenas uma criança com um talento descomunal. Hoje, contudo, isso parece ter mudado. Na era do jornalismo em tempo real, não é relevante que um talento se desenvolva. É a existência do talento que vira notícia. O que importa é o fait divers: o como, quando e quem produziu; a obra em si fica num distante segundo ou terceiro plano.
Isso vem sendo percebido na mídia “especializada” brasileira, que parece ter despertado recentemente para os prodígios da terra, sem prestar muita atenção no som que está saindo dos alto-falantes. Algumas das mais badaladas novidades do mundo musical estão longe de chegar à maioridade, como a cantora paulista Mallu Magalhães, de apenas 15 anos. Do lado de cá, os holofotes estão voltados para o pianista pernambucano Vitor Araújo, 18, integrante do cast de uma das maiores gravadoras independentes do Brasil, a Deckdisc, que lançou seu Transtorno Obsessivo Compulsivo em dualdisc (CD num lado, DVD no outro).
Mallu diz ser influenciada por Bob Dylan e Johnny Cash, canta em português, inglês e francês e toca violão, gaita e piano. Ganhou as primeiras seis cordas aos oito e, aos 15, pediu de presente de aniversário a gravação das suas músicas num estúdio. De repente, o site de Mallu no My Space havia recebido mais de um milhão de acessos, a menina foi citada em vários blogs e revistas de música, apareceu na MTV, no Jô Soares, na propaganda da Vivo e foi elogiada até por Tom Zé. Mallu é afinada, tem presença vocal e, principalmente, carisma. Ela se esforça para parecer sabida. É a típica menina branca da classe média letrada que estuda em colégio construtivista, faz cultura inglesa, vai prestar vestibular para comunicação ou artes, prefere cinema de arte a blockbuster e ouve “música boa”, ou seja, aquela que pessoas mais velhas aprovam.
Mallu é um talento. A música dela, contudo, é de uma simplicidade que, no máximo, faz com que passe despercebida. São canções de três acordes de uma menina que, como tantas outras, se empolgou ao conseguir fazer sua primeira pestana. Mas ela tem 15 anos e, numa era em que qualquer coisa vale para se destacar na turba de novos artistas que surgem a cada minuto, isto definitivamente conta a seu favor.
Com relação a Vitor Araújo, era impossível não ficar do lado dele depois da polêmica com o compositor Marlos Nobre, que enviou cartas a um jornal local criticando o jovem pianista, e até ameaçando processá-lo, pelo improviso feito em cima do seu Frevo para Piano. Naquele instante, Vitor era um soldado franzino de camiseta, jeans e all star enfrentando todo o reacionarismo e a ortodoxia do mundo da música erudita, e isso me fez simpatizar com ele de cara. Nobre tentou desqualificá-lo, chamando-o de “jovem aspirante a pianista”. Não conseguiu. Vitor bem sabe que é um aspirante a pianista mesmo, que tem muita técnica a aprender se quer se tornar um músico do quilate de Nelson Freire. Nem por isso se desencorajou.
Vitor é um jovem talento rebelde, mas peca por querer faturar em cima dessas três qualidades. Parece obstinado com a idéia de ser acessível, pop, contemporâneo e ao mesmo tempo quer transformar tudo isso numa mercadoria que venha com o selo de qualidade “música boa”, ideal para dar de presente a tios, tias, sobrinhos e sobrinhas. O repertório de Vitor está cheio de cânones e obviedades (Chico Buarque para agradar ao pessoal da MPB, Radiohead para o pessoal mais novo) e isso, associado à forma como ele quer chamar atenção para a sua performance e seu jeito de vestir, me faz crer que ele está no caminho errado.
Vitor e Mallu me lembram aquela máxima do futebol que diz que, se surge um talento nas divisões de base do time, o técnico deve preservá-lo para que o jovem não seja “queimado” pela torcida. No jogo da música tem sido diferente. Apesar do talento inegável dos dois, a música de Vitor e Mallu não faz sentido sem o manual de instruções que informa a idade de quem a está executando. Atualmente, eles só estão tapando a lacuna do novo para a cambaleante indústria do entretenimento. Em alguns anos, deixarão de ser novidade, e outras, talvez ainda mais novas, surgirão.
El Paso, Pernambuco.
Julho 13, 2008
“Where life had no value, death, sometimes, had its price”.
Parece Recife.
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Julho 13, 2008Na barrinha à direita eu acrescentei o blog de Ana Braga, Sobre Vidas Ordinárias. Confiram a história de Tchai, que saiu no Diario na semana passada.
