Posts de Agosto, 2008

Revoluções por minuto

Agosto 18, 2008

Eu adoro a revista O Grito. Tento ler quase sempre. É diversão garantida. Hoje me mostraram uma resenha que diz que o Primal Scream “redefiniu os rumos do pop nos anos 90″. Eu não necessariamente discordo, mas é impressionante como todo mundo, qualquer artista, cineasta, escritor, banda, revolucionou ou redefiniu ou mudou radicalmente a cultura da sua época, de acordo com os críticos do site. Há algumas semanas, uma notinha dizia que, com o Parallel Lines, o Blondie “mudou os rumos da música e do conceito de Diva”. Procure a palavra “revolucionar” no sistema de busca do site. Todo mundo é revolucionário. Os Beatles revolucionaram a música. Truffaut, o cinema. Frank Miller, os quadrinhos. O Monty Phyton, a televisão. Até James Murphy revolucionou (aliás, melhor ainda, remodelou) a música eletrônica. Haja revolução.

Se depender d’O Grito, Gil Scott Heron pode ficar tranquilo: a revolução pode até não ser televisada, mas será, com certeza, resenhada.

Sorry, periferia

Agosto 17, 2008

Eu fico muito impressionado com a ruindade do DJ Dolores. Aquele falso ecletismo tirado de coletâneas Rough Guide é na verdade um sonzinho feito sob medida para animar festivais de World Music na Europa. É o DJ exótico, tropical, “poor is cool”, carimbado com selo de exportação pra gringo ver. Dolores é a Regina Casé das pickups.

É doce morrer no mar

Agosto 16, 2008

Como seria o obituário de Dorival Caymmi no New York Times?

Chinese democracy

Agosto 15, 2008

Na sua coluna mais recente, a jornalista canadense Naomi Klein mostra que, ao invés de incentivar a flexibilização e uma maior abertura do regime chinês, a realização dos Jogos Olímpicos em Pequim só ajudou o governo a desenvolver mecanismos ainda mais severos de controle e repressão da sua população. É o que ela chama de Police State 2.0.

Imperialismo x imperialismo

Agosto 14, 2008

Num artigo publicado hoje pelo Guardian, o ex-presidente da União Soviética Mikhail Gorbachev afirma: “os militares georgianos atacaram a capital da Ossétia do Sul com múltiplos lançadores de foguetes destinados a devastar grandes áreas” e, por isso, “a Rússia teve que responder. Acusá-la de agressão contra a ‘pequena e indefesa Geórgia’ é não apenas hipócrita, mas demonstra falta de humanidade”. É de conhecimento até do mundo mineral, para usar a expressão de Mino Carta, que os Estados Unidos treinaram os militares georgianos e os armaram até os dentes.

Para o velho Gorba, ao declararem que o Cáucaso está na sua “esfera de interesse” (olha o cheiro de novo), os Estados Unidos estão cometendo um sério equívoco, já que a Rússia, ao contrário dos norte-americanos, faz fronteira com a região, tem uma história em comum (sabia que Stálin era georgiano?) e tem interesses legítimos naqueles países.

Georgia on my mind

Agosto 14, 2008

Um texto interessante do jornalista Robert Scheer sugere que a tal guerra na Geórgia não passa de um truque dos neoconservadores norte-americanos para influenciar a eleição presidencial dos Estados Unidos. Como assim?

“Antes de você desconsiderar essa possibilidade, leve em conta o papel de um certo Randy Scheunemann, que por quatro anos foi lobista pago pelo governo georgiano e só encerrou o serviço em março, meses depois de se tornar conselheiro sênior de política internacional do candidato republicano John McCain”, diz Scheer.

De acordo com o jornalista, o tal Randy Scheunemann, amigo pessoal e funcionário do presidente georgiano Mikheil Saakashvili, pode ter solicitado a invasão da Ossétia do Sul pela Geórgia, com a garantia do apoio norte-americano à investida. Foi mais ou menos o que ocorreu.

A tese de Scheer é de que, em pleno ano eleitoral, os republicanos estão procurando uma ameaça estrangeira para criar um ambiente de medo, como na Guerra Fria, e explorá-lo na campanha. Com a queda do regime de Saddam Hussein no Iraque, seria a vez da Rússia de Putin se tornar a inimiga da vez. Revendo a história recente dos Estados Unidos, não há como não reconhecer que faz sentido.

A propósito, ele questiona: não é contraditório que os Estados Unidos apóiem, como apoiaram, a independência da província do Kosovo da Sérvia e, a alguns quilômetros dali, no Cáucaso, se oponham à separação da Ossétia do Sul e da Abecásia da Geórgia e, pior, dêem suporte à invasão militar dessa última nas províncias separatistas?

O Moisés Negro se foi

Agosto 11, 2008

Isaac Hayes, o cantor e compositor que, com arranjos para músicas como “Theme From Shaft”, definiu as glórias e os excessos da soul music no começo dos anos 70, morreu neste domingo em East Memphis, Tennessee. Ele tinha 65 anos.