Posts de Setembro, 2008

Era de ouro

Setembro 27, 2008

Dear Science,” já é o disco de rock mais comentado de 2008, e há razão para tal. Depois do complexo e fantástico “Return to Cookie Mountain“, de 2006, o TV on the Radio resolveu fazer seu próprio “Sign o’ The Times“. No novo álbum, eles soam mais limpos, diretos e pop do que nunca, e, nesse caso, isso é bom.

O TV on the Radio deve ser a banda de rock mais importante dessa década.

Esses são os vídeos do álbum novo.

Golden Age, um dos clipes mais gays de todos os tempos:

e o mais recente, Dancing Choose:

“Sou”

Setembro 26, 2008


Marcelo Camelo era (e, até que a banda lance outro disco, eu vou usar o verbo no passado) a parte boa do Los Hermanos: o melhor cantor, o melhor compositor, o melhor músico e um dos que falava menos. Natural, então, que o primeiro disco solo dele, “Sou” (que também pode ser lido como “Nós” de cabeça para baixo) cause tanto furor entre o público, órfão de uma das bandas pop mais populares da década. Quem, como eu, foi para o primeiro show da turnê, no festival do Coquetel Molotov, viu a comoção: mesmo a poucos dias do seu lançamento, a platéia cantou as músicas do começo ao fim, como se as conhecesse de longa data.

“Sou”, apesar da edição luxuosa e da tiragem inicial de 15 mil cópias, em alguns momentos quer ter, sem sucesso, a estética de um álbum independente, low-fi, casual. Logo na primeira faixa, “Téo e a Gaivota”, é possível ouvir o “foi!” do técnico de som mandando a banda iniciar a execução. Ao fim da canção, ouvimos os músicos conversando e o baterista soltando as baquetas sobre a caixa. Esses momentos de bastidores do estúdio, assim como ruídos e sons de ondas do mar, se repetirão por todo o disco. Mas, dadas as devidas proporções, “Sou” está mais para a produção de “Band On The Run” do que para o clima caseiro de “McCartney“. Vide as pomposas cordas em “Santa Chuva” ou a fanfarra de “Copacabana”.

Como álbum, “Sou” peca por uma certa falta de coesão que, aos poucos, vamos percebendo ser intencional, mas, ainda assim, sem fundamento. Para meu ouvido, as canções são divididas em três grupos, que eu batizei de “as difíceis”, “as sérias” e “as caetanas”. Entre essas últimas estão “Vida doce” (com percussão e coros a la Tiêta-eta-eta), “Menina Bordada” e a constrangedora marchinha “Copacabana”, com seus velhinhos bons de papo e suas gordinhas alvoroçadas. As sérias são os momentos banquinho e violão, como “Passeando” (que aparece em dois momentos no álbum, um deles apenas no piano), “Liberdade” (com ninguém menos que Dominguinhos na sanfona) e “Solidão” (outra que também aparece em versão piano). As difíceis, não por acaso, têm o Hurtmold como banda de apoio: “Téo e a Gaivota” (e suas pausas pós-roquianas), a polirrítmica “Tudo passa” e “Mais tarde”.

Desses três grupos, as melhores são, de longe, as difíceis, justamente por mostrarem uma faceta nova de Camelo. A longa introdução de “Téo e a Gaivota”, as suas texturas de guitarra tortoiseanas, os ruídos e as paradas da banda dão ao conjunto final uma sonoridade marcante e muito particular. Mas o cume do disco é “Mais tarde”, em que o Hurtmold chega a soar como (indies xiitas, me dêem um desconto) o Sonic Youth da época de Jim O’Rourke. É também a letra mais forte do disco (“acho normal ver a vida feito faz o mar num grão de areia”). Quando ela acaba, fico um pouco triste com o fato de que momentos como esse não vão se repetir mais nos 55 minutos do álbum.

Mas Camelo também é feliz quando foge dos estereótipos que criou para si mesmo, como em “Menina Bordada”, em que ele bota o Hurtmold pra suingar, ou na simples “Doce solidão” e seu climinha de luau. Pelos acertos serem muito certos, e pelos erros serem muito errados, “Sou” causa em mim a impressão de ser uma obra medrosa e um tanto conservadora. Parece querer soar como um álbum de transição e experimental, mas não é. Apesar disso, não deixa qualquer dúvida: Marcelo Camelo é um dos melhores compositores brasileiros da década. Ele pode errar e ainda assim ser muito bom.

Frases sobre o fim de semana

Setembro 22, 2008

O No Ar: Coquetel Molotov é o festival de música pop mais importante do Recife. Eu diria até do Nordeste. É o único que está seriamente comprometido com a revelação de bandas novas e boas.

Mas insiste em dar destaque a “cantoras” e bandas gringas inexpressivas ao invés de dar lugar ao que realmente importa.

A Suécia é o Paraguai da música pop: especialista em fabricar imitações baratas de bandas. Que o digam Shout Out Louds e comparsas.

Trazer essas bandas de tão longe é desperdício de dinheiro e tempo, e ainda polui o meio ambiente.

Peter Bjorn & John se salvam, mas também não são lá essas coisas. Têm umas três músicas boas.

Entre elas não incluo Young Folks.

Não gosto do Hurtmold, mas eles são uma senhora banda de apoio.

Marcelo Camelo sempre foi o cara que valia a pena do Los Hermanos. Ele fez o melhor show dos que eu vi. Apesar da gritaria.

E apesar de Mallu Magalhães.

Hoje vai ter um grande show no céu

Setembro 15, 2008

Morreu hoje Rick Wright do Pink Floyd, o tecladista mais gente fina do rock. Ele é o compositor de The Great Gig In The Sky, aquela música que quase faz a gente acreditar que o Dark Side Of The Moon foi feito para casar com as imagens do Mágico de Oz.

Mais um que vai fazer falta.

Um clipe para Fabão (2)

Setembro 12, 2008

Parece que o vídeo não está funcionando. Enfim, o link é esse: http://www.youtube.com/watch?v=_9jpkF1ehD8.

Um clipe para Fabão

Setembro 12, 2008

Alguém discorda que esse clipe é a cara dele?

Aliás, que música do caralho. É do disco New Amerykah Part One, lançado nesse ano. Não ouvi ainda, mas certamente está entre os álbuns de 2008 que merecem ser escutados com muita atenção.

O tambor é o novo sampler

Setembro 7, 2008

Das bandas gringas que vem sendo elogiadas nos últimos meses, a dupla The Dodos foi a que mais chamou a minha atenção. Com apenas violão e bateria eles fazem um som que é ao mesmo tempo percussivo, melódico e pop. Percussivo de um jeito diferente: aqui, as seis cordas fazem junto com surdos, tontons e caixa uma marcação que raramente segue o modelo pop tradicional. The Dodos integra uma nova leva de bandas norte-americanas que busca inspiração nos ritmos da África, como o Vampire Weekend. Mas, diferente desses últimos, faz uma música muito mais orgânica. Enquanto no VW os elementos africanos parecem um bibelô sonoro, mero artigo de decoração, no Dodos eles parecem integrar a própria essência das canções.

Essa é a minha preferida, Red and Purple:

E essa é Fools:

Polícia para quem precisa

Setembro 5, 2008

Na terra da democracia e da liberdade, é assim que eles tratam os jornalistas:

Amy Goodman e Nicole Salazar, respectivamente apresentadora e produtora do Democracy Now, foram presas durante a cobertura dos protestos anti-guerra que ocorreram durante a convenção dos republicanos em Saint Paul. Elas já estão soltas, mas vão responder a processos.

A Federação Internacional dos Jornalistas condenou a ação. “É chocante ouvir falar de prisões e ataques contra jornalistas nos Estados Unidos, onde a liberdade de imprensa está expressa na constituição do país e sempre foi tida como um dos pilares da democracia norte-americana”, disse o secretário-geral Aidan White.

Isso é só uma amostra do que vem por aí se McCain ganhar essa eleição.

Guia eleitoral indie

Setembro 3, 2008

Lá nos Estados Unidos é assim. O The National empresta a música para a propaganda de Obama.