Um clipe para Fabão

setembro 12, 2008

Alguém discorda que esse clipe é a cara dele?

Aliás, que música do caralho. É do disco New Amerykah Part One, lançado nesse ano. Não ouvi ainda, mas certamente está entre os álbuns de 2008 que merecem ser escutados com muita atenção.

O tambor é o novo sampler

setembro 7, 2008

Das bandas gringas que vem sendo elogiadas nos últimos meses, a dupla The Dodos foi a que mais chamou a minha atenção. Com apenas violão e bateria eles fazem um som que é ao mesmo tempo percussivo, melódico e pop. Percussivo de um jeito diferente: aqui, as seis cordas fazem junto com surdos, tontons e caixa uma marcação que raramente segue o modelo pop tradicional. The Dodos integra uma nova leva de bandas norte-americanas que busca inspiração nos ritmos da África, como o Vampire Weekend. Mas, diferente desses últimos, faz uma música muito mais orgânica. Enquanto no VW os elementos africanos parecem um bibelô sonoro, mero artigo de decoração, no Dodos eles parecem integrar a própria essência das canções.

Essa é a minha preferida, Red and Purple:

E essa é Fools:

Polícia para quem precisa

setembro 5, 2008

Na terra da democracia e da liberdade, é assim que eles tratam os jornalistas:

Amy Goodman e Nicole Salazar, respectivamente apresentadora e produtora do Democracy Now, foram presas durante a cobertura dos protestos anti-guerra que ocorreram durante a convenção dos republicanos em Saint Paul. Elas já estão soltas, mas vão responder a processos.

A Federação Internacional dos Jornalistas condenou a ação. “É chocante ouvir falar de prisões e ataques contra jornalistas nos Estados Unidos, onde a liberdade de imprensa está expressa na constituição do país e sempre foi tida como um dos pilares da democracia norte-americana”, disse o secretário-geral Aidan White.

Isso é só uma amostra do que vem por aí se McCain ganhar essa eleição.

Guia eleitoral indie

setembro 3, 2008

Lá nos Estados Unidos é assim. O The National empresta a música para a propaganda de Obama.

Revoluções por minuto

agosto 18, 2008

Eu adoro a revista O Grito. Tento ler quase sempre. É diversão garantida. Hoje me mostraram uma resenha que diz que o Primal Scream “redefiniu os rumos do pop nos anos 90″. Eu não necessariamente discordo, mas é impressionante como todo mundo, qualquer artista, cineasta, escritor, banda, revolucionou ou redefiniu ou mudou radicalmente a cultura da sua época, de acordo com os críticos do site. Há algumas semanas, uma notinha dizia que, com o Parallel Lines, o Blondie “mudou os rumos da música e do conceito de Diva”. Procure a palavra “revolucionar” no sistema de busca do site. Todo mundo é revolucionário. Os Beatles revolucionaram a música. Truffaut, o cinema. Frank Miller, os quadrinhos. O Monty Phyton, a televisão. Até James Murphy revolucionou (aliás, melhor ainda, remodelou) a música eletrônica. Haja revolução.

Se depender d’O Grito, Gil Scott Heron pode ficar tranquilo: a revolução pode até não ser televisada, mas será, com certeza, resenhada.

Sorry, periferia

agosto 17, 2008

Eu fico muito impressionado com a ruindade do DJ Dolores. Aquele falso ecletismo tirado de coletâneas Rough Guide é na verdade um sonzinho feito sob medida para animar festivais de World Music na Europa. É o DJ exótico, tropical, “poor is cool”, carimbado com selo de exportação pra gringo ver. Dolores é a Regina Casé das pickups.

É doce morrer no mar

agosto 16, 2008

Como seria o obituário de Dorival Caymmi no New York Times?

Chinese democracy

agosto 15, 2008

Na sua coluna mais recente, a jornalista canadense Naomi Klein mostra que, ao invés de incentivar a flexibilização e uma maior abertura do regime chinês, a realização dos Jogos Olímpicos em Pequim só ajudou o governo a desenvolver mecanismos ainda mais severos de controle e repressão da sua população. É o que ela chama de Police State 2.0.

Imperialismo x imperialismo

agosto 14, 2008

Num artigo publicado hoje pelo Guardian, o ex-presidente da União Soviética Mikhail Gorbachev afirma: “os militares georgianos atacaram a capital da Ossétia do Sul com múltiplos lançadores de foguetes destinados a devastar grandes áreas” e, por isso, “a Rússia teve que responder. Acusá-la de agressão contra a ‘pequena e indefesa Geórgia’ é não apenas hipócrita, mas demonstra falta de humanidade”. É de conhecimento até do mundo mineral, para usar a expressão de Mino Carta, que os Estados Unidos treinaram os militares georgianos e os armaram até os dentes.

Para o velho Gorba, ao declararem que o Cáucaso está na sua “esfera de interesse” (olha o cheiro de novo), os Estados Unidos estão cometendo um sério equívoco, já que a Rússia, ao contrário dos norte-americanos, faz fronteira com a região, tem uma história em comum (sabia que Stálin era georgiano?) e tem interesses legítimos naqueles países.

Georgia on my mind

agosto 14, 2008

Um texto interessante do jornalista Robert Scheer sugere que a tal guerra na Geórgia não passa de um truque dos neoconservadores norte-americanos para influenciar a eleição presidencial dos Estados Unidos. Como assim?

“Antes de você desconsiderar essa possibilidade, leve em conta o papel de um certo Randy Scheunemann, que por quatro anos foi lobista pago pelo governo georgiano e só encerrou o serviço em março, meses depois de se tornar conselheiro sênior de política internacional do candidato republicano John McCain”, diz Scheer.

De acordo com o jornalista, o tal Randy Scheunemann, amigo pessoal e funcionário do presidente georgiano Mikheil Saakashvili, pode ter solicitado a invasão da Ossétia do Sul pela Geórgia, com a garantia do apoio norte-americano à investida. Foi mais ou menos o que ocorreu.

A tese de Scheer é de que, em pleno ano eleitoral, os republicanos estão procurando uma ameaça estrangeira para criar um ambiente de medo, como na Guerra Fria, e explorá-lo na campanha. Com a queda do regime de Saddam Hussein no Iraque, seria a vez da Rússia de Putin se tornar a inimiga da vez. Revendo a história recente dos Estados Unidos, não há como não reconhecer que faz sentido.

A propósito, ele questiona: não é contraditório que os Estados Unidos apóiem, como apoiaram, a independência da província do Kosovo da Sérvia e, a alguns quilômetros dali, no Cáucaso, se oponham à separação da Ossétia do Sul e da Abecásia da Geórgia e, pior, dêem suporte à invasão militar dessa última nas províncias separatistas?


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